PORTAL RIO MADEIRA – O Irã entrou neste sábado (10) no terceiro dia consecutivo de apagão nacional de internet, segundo monitoramento da organização de cibersegurança NetBlocks. A conectividade no país caiu para 1% do tráfego habitual desde 8 de janeiro, justamente quando protestos antigovernamentais se intensificaram em várias cidades iranianas.
Apagão total e impacto na comunicação
A NetBlocks confirmou que “o Irã está offline há 48 horas”, destacando que o bloqueio segue em vigor em todo o território.
Moradores de Teerã relataram que até o serviço de telefonia móvel está indisponível, isolando a população e dificultando o envio de informações ao exterior.
Ainda assim, alguns iranianos têm conseguido se comunicar por meio de terminais Starlink contrabandeados ou utilizando sinal de telefonia de países vizinhos.
Segundo Alp Toker, diretor da NetBlocks, o regime iraniano costuma recorrer a apagões dessa magnitude quando existe risco de uso de força letal contra manifestantes, com o objetivo de limitar registros e repercussão internacional.
Protestos crescem apesar do bloqueio
Os atos já duram duas semanas e começaram motivados pela escalada da inflação, mas rapidamente tomaram caráter político, com manifestantes pedindo o fim do regime islâmico.
De acordo com a Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, ao menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas desde o início das manifestações.
Militares iranianos reforçaram que a segurança nacional é “linha vermelha” e prometeram proteger prédios públicos, enquanto a repressão se intensifica.
Há registro de confrontos em várias regiões, e a mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado na cidade de Karaj, atribuindo o ato a “manifestantes violentos”.
Regime acusa interferência estrangeira
Autoridades iranianas afirmam que Estados Unidos e Israel estão incentivando os distúrbios.
As acusações foram feitas após o presidente norte-americano, Donald Trump, emitir um novo alerta ao regime e o secretário de Estado, Marco Rubio, declarar apoio às manifestações.
Bloqueio pode ter efeito contrário
Apesar da tentativa de conter a circulação de informações, moradores relatam que o apagão teve impacto inesperado: aumentou ainda mais a presença de pessoas nas ruas.
“O corte da internet parece ter saído pela culatra. O tédio e a frustração levaram mais pessoas aos protestos”, disse à CNN um morador de Teerã, de 47 anos, sob condição de anonimato.
Clima de tensão nacional
Funerais de membros das forças de segurança mortos em confrontos foram exibidos pela TV estatal, enquanto a Guarda Revolucionária promete “resposta severa” caso a violência continue.
Com o avanço dos protestos e a interrupção prolongada da internet, o país vive uma das maiores ondas de instabilidade desde as manifestações de 2019.
Foto/Reprodução: imagens da internet
Fonte: Portal Rio Madeira / CNN Brasil


