PORTAL RIO MADEIRA – A Justiça de Rondônia manteve a condenação de um homem apontado como integrante de uma facção criminosa que atuava na zona Leste de Porto Velho promovendo sessões de tortura e espancamentos contra vítimas levadas à força para “tribunais do crime”.
O acusado, conhecido dentro da organização como “disciplinador”, teve recurso negado pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), que confirmou sua participação nos crimes de tortura e organização criminosa.
Apesar de a defesa pedir absolvição, os desembargadores apenas reduziram parcialmente a pena após reconhecerem a confissão relacionada ao crime de organização criminosa. Com isso, a condenação ficou fixada em 10 anos e 10 meses de prisão em regime fechado.
Facção promovia “julgamentos” e espancamentos
Conforme o processo, o condenado exercia papel de liderança local dentro do grupo criminoso, sendo responsável por aplicar punições violentas e coordenar ações de intimidação em bairros da capital.
As investigações revelaram que vítimas eram retiradas de dentro das próprias residências e submetidas a agressões brutais comandadas pelo acusado.
Em um dos casos citados no processo, ocorrido em agosto de 2023, o homem teria liderado um espancamento público após levar uma vítima para uma espécie de “julgamento” promovido pela facção.
Vídeos registraram agressões brutais
As provas reunidas pela polícia incluíram vídeos em que o criminoso aparece agredindo vítimas com pedaços de madeira.
Segundo os autos, a violência foi tão intensa em uma das sessões de tortura que o objeto utilizado chegou a quebrar durante os golpes.
Além das agressões, o homem também fazia patrulhamentos armados e registrava as ações criminosas para apresentar a superiores da organização.
Justiça considerou provas contundentes
O relator do caso, desembargador Francisco Borges, afirmou que os elementos reunidos no processo deixam clara a participação do acusado nos crimes.
De acordo com o magistrado, vídeos, testemunhos, reconhecimento das vítimas e até a própria confissão do réu confirmam sua atuação direta nas torturas e na organização criminosa.
O julgamento ocorreu em sessão eletrônica entre os dias 27 de abril e 4 de maio de 2026.
Foto: Reprodução/TJRO
Fonte: Portal Rio Madeira


