PORTAL RIO MADEIRA – O presidente-executivo da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, negou ter desenvolvido redes sociais com o objetivo de viciar jovens em telas. A declaração foi feita durante julgamento nos Estados Unidos que discute o impacto de plataformas digitais na saúde mental de adolescentes.
Zuckerberg afirmou que a Meta — responsável pelo Facebook e pelo Instagram — não permite que crianças menores de 13 anos utilizem seus serviços. No entanto, foi confrontado com documentos internos que sugerem que esse público sempre foi considerado estratégico para o crescimento da empresa.
Processo em andamento
O caso envolve uma mulher da Califórnia que afirma ter desenvolvido depressão e pensamentos suicidas após usar Instagram e YouTube ainda na infância. Ela acusa a Meta e o Google de lucrar com o engajamento de menores, mesmo cientes dos possíveis danos psicológicos.
As empresas negam as acusações e afirmam ter implementado recursos de segurança para proteger usuários jovens.
Durante o julgamento, advogados apresentaram e-mails e apresentações internas que indicariam preocupação da própria empresa com a retenção de pré-adolescentes. Zuckerberg respondeu dizendo que suas falas anteriores ao Congresso foram “distorcidas”.
Tempo de uso sob questionamento
O CEO também foi questionado sobre metas internas relacionadas ao aumento do tempo gasto nas plataformas. Documentos mostraram projeções de crescimento do tempo médio diário no Instagram. Zuckerberg afirmou que os números representavam análises de desempenho, e não metas voltadas a maximizar o uso de forma prejudicial.
Ele declarou ainda que adolescentes representam menos de 1% da receita da Meta.
Reação global
O julgamento ocorre em meio a uma onda de processos judiciais contra empresas de tecnologia nos EUA. Estados, distritos escolares e famílias movem ações alegando que as plataformas contribuíram para uma crise de saúde mental entre jovens.
Países como a Austrália já adotaram medidas mais rígidas, proibindo acesso de menores de 16 anos a redes sociais. Nos EUA, estados como a Flórida também aprovaram restrições semelhantes.
Especialistas avaliam que o desfecho do julgamento pode impactar a forma como as chamadas big techs são responsabilizadas por danos relacionados ao design e à operação de suas plataformas.
Foto/Reprodução: REUTERS/Mike Blake
Fonte: Portal Rio Madeira / Reuters


