PORTAL RIO MADEIRA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (23), que o mundo vive um dos momentos políticos mais tensos das últimas décadas e que a Carta das Nações Unidas está sendo “rasgada” diante do avanço da chamada “lei do mais forte”. Segundo ele, decisões unilaterais de grandes potências têm enfraquecido o multilateralismo e colocado em risco a estabilidade global.
Durante evento do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), em Salvador, Lula declarou que crises recentes na América Latina, mudanças políticas nos Estados Unidos e disputas geopolíticas escancaram um cenário preocupante para a democracia internacional.
Multilateralismo em colapso
O presidente disse que o enfraquecimento dos fóruns multilaterais tem sido acompanhado por um aumento da pressão militar e econômica de países que buscam impor seus interesses a outras nações.
Segundo Lula, o momento atual contraria a proposta defendida pelo Brasil desde 2003, que inclui a ampliação do Conselho de Segurança da ONU com a entrada de novos países como México, Brasil e nações africanas.
“Em vez de corrigir a ONU, o presidente Trump quer criar uma nova ONU, como se fosse dono da atual”, criticou.
Críticas diretas a Donald Trump
Lula comentou declarações recentes do presidente norte-americano, Donald Trump, que em Davos reafirmou o desejo dos EUA de controlar a Groenlândia, território dinamarquês. Trump também anunciou um “Conselho de Paz” para Gaza, acompanhado de imagens de resorts de luxo, o que gerou forte reação diplomática internacional.
“Está prevalecendo a lei do mais forte. O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo”, disse Lula.
O presidente destacou que discursos que exaltam poder militar e intimidação não contribuem para a estabilidade mundial. “Eu não quero guerra com os Estados Unidos, com a China, com a Rússia, com ninguém”, afirmou.
Preocupação com o cenário político internacional
Lula também citou eleições recentes na América Latina, onde candidatos da direita venceram em diversos países, e relacionou o avanço dessas forças a um ambiente global de instabilidade democrática.
Para ele, o Brasil precisa redobrar a atenção em 2026, ano de eleições nacionais, diante da escalada de tensões internacionais e discursos autoritários.
Articulação diplomática
O presidente revelou ter mantido contatos telefônicos com diversos líderes globais nos últimos dias, incluindo Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), o primeiro-ministro da Índia e chefes de governo da Hungria e do México.
O objetivo, segundo Lula, é construir um pacto internacional pela defesa do multilateralismo e evitar que relações internacionais passem a ser regidas “pela força bruta”.
“O caminho do Brasil é o diálogo. Eu quero fazer guerra com argumentos, mostrando que a democracia é imbatível”, afirmou.
Diplomacia sem alinhamento automático
Lula reforçou que a política externa brasileira não será submissa a disputas internacionais entre potências. O Brasil, segundo ele, quer manter relações diplomáticas amplas, sem preferências ideológicas.
“O que não aceitamos é voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”, declarou.
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Fonte: Portal Rio Madeira


