PORTAL RIO MADEIRA – Cresce a tensão entre Estados Unidos e União Europeia após o presidente Donald Trump anunciar tarifas contra países europeus em meio à disputa diplomática pela soberania e segurança da Groenlândia. Diante do avanço da crise, a UE avalia impor retaliações de € 93 bilhões ou restringir o acesso de grandes empresas americanas ao mercado europeu, segundo líderes do bloco.
O tema domina a reunião emergencial deste domingo (18), em Bruxelas, convocada para articular uma reação conjunta ao que a Europa classifica como uma “escalada perigosa” no Ártico.
Por que a Groenlândia virou foco de tensão mundial
A crise se intensificou após Trump voltar a sugerir que os EUA buscam incorporar a Groenlândia ao seu território, argumentando razões de segurança estratégica e interesses minerais. A ilha, porém, é parte do Reino da Dinamarca, que já declarou não haver qualquer possibilidade de negociar sua soberania.
A insistência americana provocou forte reação diplomática. O governo dinamarquês acionou aliados europeus, que passaram a tratar o assunto como uma ameaça territorial direta.
Tarifas dos EUA acenderam alerta na Europa
Trump anunciou tarifas de 10% — que podem subir para 25% em junho — contra Dinamarca, Suécia, Noruega, França, Alemanha, Finlândia, Reino Unido e Holanda. A medida seria uma forma de pressionar governos que rejeitam o plano americano sobre a Groenlândia.
Para a Europa, o gesto representa:
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Pressão econômica para fins políticos;
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Risco de ruptura da cooperação transatlântica;
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Desafios à unidade da OTAN;
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Precedente perigoso para disputas territoriais globais.
O plano de retaliação da União Europeia
A UE já havia preparado, desde o ano passado, um pacote tarifário para situações de coerção econômica. Agora, esse arsenal volta à mesa com força total.
Entre as medidas em estudo estão:
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Tarifas equivalentes a € 93 bilhões sobre produtos americanos;
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Suspensão de benefícios comerciais para empresas dos EUA;
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Aplicação do Instrumento Anti-Coerção, mecanismo que limita acesso ao mercado europeu;
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Reforço militar conjunto na Groenlândia a pedido da Dinamarca.
O objetivo é mostrar que o bloco está disposto a responder com firmeza sem romper completamente as pontes com Washington.
O que é o Instrumento Anti-Coerção
Trata-se de uma ferramenta legal criada para defender o bloco contra pressões comerciais usadas para forçar decisões políticas.
O mecanismo autoriza a UE a:
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Impor tarifas punitivas;
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Restringir empresas estrangeiras;
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Reequilibrar relações econômicas;
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Agir mesmo sem consenso global, como na OMC.
É considerado o último recurso antes de um conflito comercial de grandes proporções.
Europa reforça presença militar no Ártico
Diante das declarações de Trump sobre possível uso da força para controlar a Groenlândia, países europeus anunciaram o envio de contingentes militares e patrulhas conjuntas.
Dinamarca, França, Alemanha, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda divulgaram um comunicado reafirmando:
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Apoio integral à soberania dinamarquesa;
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Compromisso com a segurança do Ártico;
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Atuação coordenada dentro da OTAN.
Protestos também tomaram as ruas de Nuuk e Copenhague, com milhares de pessoas rejeitando a possível anexação americana.
Líderes europeus endurecem tom
Diversos chefes de Estado e autoridades emitiram declarações contundentes:
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia:
“A União Europeia permanecerá unida e coordenada. Nenhuma forma de coerção será aceita.”
Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia:
“Dividir a Europa só favorece Rússia e China.”
Emmanuel Macron, presidente da França:
“A Europa não cederá a intimidações. Tarifas contra aliados são inaceitáveis.”
Ulf Kristersson, primeiro-ministro da Suécia:
“Não nos deixaremos chantagear.”
Alexander Stubb, presidente da Finlândia:
“Tarifas podem levar a uma espiral perigosa.”
Jonas Gahr Stoere, primeiro-ministro da Noruega:
“A Groenlândia é parte inalienável do Reino da Dinamarca. Ameaças não têm espaço entre aliados.”
OTAN acompanha de perto — e teme consequências
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que a crise coloca à prova a integridade da aliança militar:
“Estamos diante de um momento sensível. O Ártico é estratégico e não pode ser motivo de tensão entre aliados.”
A Dinamarca alertou que o futuro da OTAN está em jogo, caso as ameaças dos EUA se concretizem.
Caminho para Davos
O episódio domina a agenda dos líderes que participarão do Fórum Econômico Mundial, nesta semana. Diplomatas afirmam que a resposta da UE precisa ser:
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Forte o suficiente para conter os EUA;
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Moderada para evitar uma guerra comercial;
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Coordenada para preservar a unidade europeia.


