PORTAL RIO MADEIRA — Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia será finalmente assinado neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai. A cerimônia, que marca uma das articulações econômicas mais amplas do planeta, ocorrerá sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Por que Lula não vai?
Segundo integrantes do governo, a cerimônia havia sido inicialmente planejada para ocorrer em nível ministerial — já que o acordo é assinado pelos chanceleres dos países-membros. Porém, o Paraguai, que ocupa a presidência rotativa do Mercosul, decidiu ampliar o evento e convidar chefes de Estado.
A mudança foi vista como descumprimento do entendimento prévio, e o presidente brasileiro optou por não comparecer. Apesar disso, o Palácio do Planalto reforça que a ausência não reduz a relevância política do tratado para o país.
O que representa o acordo?
Com cerca de 780 milhões de consumidores e aproximadamente um quarto do PIB global, o acordo Mercosul–UE cria uma das maiores zonas de livre comércio do planeta. Entre os compromissos, estão:
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Eliminação gradual de tarifas de importação para a maior parte dos produtos;
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Abertura do mercado europeu para produtos agropecuários do Mercosul;
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Ampliação da entrada de bens industriais europeus — como automóveis, máquinas e medicamentos — no mercado sul-americano;
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Normas sobre compras governamentais, serviços, propriedade intelectual e resolução de controvérsias;
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Compromissos ambientais alinhados ao Acordo de Paris.
Movimentação diplomática antes da assinatura
Mesmo sem ir ao Paraguai, Lula se reuniu nesta sexta (16), no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para celebrar o avanço das negociações.
Na reunião, Lula classificou o acordo como uma “parceria baseada no multilateralismo e no respeito à democracia”. Von der Leyen, por sua vez, elogiou o empenho brasileiro e defendeu relações comerciais fundadas em regras e cooperação.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, participaria do encontro, mas não conseguiu chegar a tempo devido a atrasos no voo.
Quem deve participar da cerimônia em Assunção
Estão confirmadas as presenças de:
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Javier Milei (presidente da Argentina);
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Yamandú Orsi (presidente do Uruguai);
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Rodrigo Paz (presidente da Bolívia);
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Líderes da União Europeia, incluindo Ursula von der Leyen.
Assinatura não significa entrada imediata em vigor
Mesmo com a formalização do tratado, ele ainda depende de um processo de ratificação complexo:
No lado europeu:
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O Parlamento Europeu deve analisar o acordo apenas no fim de abril.
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Setores agrícolas e industriais prometem resistência.
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Parlamentares podem acionar o Tribunal de Justiça da UE para barrar pontos do tratado — o que pode atrasar a vigência por meses ou até anos.
No lado do Mercosul:
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O governo brasileiro acredita que o Congresso Nacional aprovará o acordo rapidamente.
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A expectativa é que ele entre em vigor no segundo semestre de 2026.
O que cada bloco ganha?
Para o Mercosul
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Maior acesso ao mercado europeu para carne, açúcar, etanol, soja e suco de laranja.
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Integração a cadeias globais de valor.
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Redução de tarifas que atualmente encarecem exportações sul-americanas.
Para a União Europeia
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Abertura gradual de mercado para produtos industriais e tecnológicos.
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Regras mais claras para investimentos.
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Expansão de parcerias estratégicas em clima e sustentabilidade.
Ambiente político
Embora a assinatura não conte com Lula, integrantes do governo avaliam que o tratado simboliza uma das maiores vitórias diplomáticas do terceiro mandato. A postura ativa do Brasil nas negociações foi destacada por líderes europeus e reforçou o protagonismo regional do país.
Foto/Reprodução: imagens da internet
Fonte: Portal Rio Madeira / Metrópoles


