PORTAL RIO MADEIRA – Em meio à crise política que se agravou após o sequestro de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, no último sábado (3), o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de um número significativo de prisioneiros, incluindo venezuelanos e estrangeiros. A medida, segundo ele, é um gesto unilateral de paz do governo chavista.
Rodríguez, que é irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, afirmou que o processo já está em andamento e classificou a decisão como “um ato de soberania e autodeterminação do povo venezuelano”. Ele também agradeceu publicamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e ao governo do Qatar pelos “esforços permanentes” em defesa da estabilidade política do país.
Quem está sendo libertado
Entre os nomes confirmados está o da ativista Rocío San Miguel, especialista em temas militares e diretora da ONG Control Ciudadano. Detida desde fevereiro de 2024 e acusada de ligação com um suposto plano para assassinar Maduro, Rocío estava presa no Helicoide, centro de detenção do serviço de inteligência venezuelano considerado por entidades internacionais como um dos locais de maior violação de direitos humanos no país.
A libertação foi confirmada também pelo governo da Espanha, já que Rocío possui dupla nacionalidade.
Repressão aumenta após captura de Maduro
Desde a operação militar dos EUA que capturou Maduro e sua esposa, Cilia Flores, a repressão nas ruas venezuelanas se intensificou, segundo relatos citados pelo The New York Times. Agentes de segurança e grupos paramilitares conhecidos como “colectivos” ampliaram a vigilância, realizaram interrogatórios em postos de controle e detiveram jornalistas e opositores.
Na segunda-feira (6), o governo interino em Caracas determinou a busca e captura nacional de qualquer pessoa considerada suspeita de apoiar ou promover a operação militar norte-americana.
Clima de tensão nas ruas
Com o estado de emergência em vigor, moradores relatam abordagens constantes, revistas em celulares e checagem de veículos. Organizações de direitos humanos afirmam que agentes procuram indícios de posicionamentos contrários ao regime.
A libertação anunciada nesta quinta, embora considerada um gesto de distensão política, ocorre em um contexto de forte instabilidade, medo e incerteza sobre os próximos passos do governo venezuelano após a queda de Maduro.
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Fonte: Portal Rio Madeira / g1


