PORTAL RIO MADEIRA – Um levantamento revela um paradoxo no transporte aéreo brasileiro: sair de Rondônia para estados vizinhos pode custar mais que viajar para outro continente. Em alguns trechos, a tarifa ultrapassa R$ 7 mil, enquanto voos para cidades como Nova Iorque ficam em torno de R$ 3 mil.
Comparação que escancara o contraste
A pesquisa, baseada em valores monitorados pelo Google Flights para março e abril de 2026, mostra que Porto Velho → Boa Vista (RR), rota de 1,5 mil km, chega a R$ 7 mil ou mais.
Já Porto Velho → Nova Iorque, com mais de 5 mil km, custa cerca de R$ 3 mil.
O comportamento se repete em outros voos:
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Porto Velho → Macapá (AP): mais de R$ 3 mil
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Porto Velho → Buenos Aires (ARG): cerca de R$ 2,6 mil
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Porto Velho → Santiago (CHI): cerca de R$ 2,6 mil
Até destinos turísticos do Sul se mostram mais acessíveis:
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Porto Alegre (RS): R$ 1,7 mil
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Florianópolis (SC): R$ 2,1 mil
Por que voos curtos ficam mais caros?
Segundo o especialista em engenharia de transportes Evandro José da Silva, o preço das passagens segue a lógica do yield, que mede a receita por passageiro por quilômetro voado.
Em áreas com baixa densidade de passageiros, como a Região Norte, as companhias elevam tarifas para compensar a demanda reduzida.
Rotas pouco procuradas, como Porto Velho – Boa Vista, sofrem diretamente esse impacto. Já grandes corredores aéreos, como Manaus – Guarulhos, mantêm preços mais estáveis.
Promoções puxam preços internacionais para baixo
Voos internacionais seguem estratégias diferentes. Companhias usam gestão de receita para atrair passageiros e lotar longas rotas, oferecendo preços competitivos. Além disso, a estrutura tributária é distinta da aplicada nos voos domésticos.
Resultado: um voo de 5 mil km pode custar menos que um de 1,5 mil km.
Combustível mais caro no Norte pesa na operação
O especialista lembra que o custo do combustível de aviação é mais elevado em estados como Rondônia, Roraima e Amazonas, mas afirma que isso não explica sozinho tamanha diferença de preços.
Falta de concorrência agrava o cenário
O Brasil possui apenas três grandes companhias aéreas, e intervenções políticas frequentes dificultam a entrada de novas empresas.
Segundo Evandro, ampliar a conectividade no Norte depende diretamente do fortalecimento econômico da região.
Cabotagem aérea pode mudar o jogo
A proposta permitiria que empresas estrangeiras operem voos domésticos, aumentando a concorrência e reduzindo tarifas, especialmente na Amazônia Legal. O projeto segue em tramitação no Congresso.
Enquanto isso, o governo avança em outra frente: uma linha de crédito financiada pelo FNAC, com apoio do BNDES, para melhorar a estrutura das empresas nacionais.
O que dizem as companhias?
A Azul afirmou que as tarifas são dinâmicas e variam por demanda, datas e disponibilidade. A empresa recomenda compra antecipada e flexibilidade.
A companhia também monitora o mercado em Rondônia, mas não há previsão de novas rotas.
A reportagem tentou contato com Latam, Gol e Anac, mas não obteve resposta até a última atualização.
Foto/Reprodução: imagens da internet
Fonte: Portal Rio Madeira | g1 RO


