PORTAL RIO MADEIRA – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Grilagem de Terras da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) solicitou à Justiça a condução coercitiva de Almiro Ferreira Marinho, investigado por suposta grilagem de terras na Gleba Cauamé, na zona rural de Boa Vista. O pedido foi feito após o investigado não comparecer à oitiva marcada para esta segunda-feira (17), sem apresentar justificativa.
Ausência e justificativa do pedido
Essa foi a segunda vez que Almiro Ferreira Marinho faltou a uma convocação da CPI. Na primeira ocasião, ele justificou a ausência e questionou se estava sendo tratado como depoente ou investigado. No entanto, com a nova ausência sem explicações, os parlamentares decidiram solicitar autorização judicial para que ele seja conduzido pela polícia até a Assembleia Legislativa, a fim de prestar depoimento.
O presidente da CPI, deputado Jorge Everton (União Brasil), destacou que a decisão foi tomada após esgotadas todas as tentativas de ouvir o investigado. “Agora aguardamos a decisão judicial para determinar se ele será conduzido para prestar esclarecimentos ou não”, afirmou o parlamentar.
Depoimento de servidor do Iteraima
Que Enquanto Almiro Marinho não compareceu, outro depoente participou da oitiva: o servidor do Instituto de Terras e Colonização de Roraima (Iteraima), Earlle Silva Santiago. Ele prestou esclarecimentos sobre um parecer técnico emitido em relação a uma área urbana já titulada desde 2010.
O relator da CPI, deputado Renato Silva (Podemos), questionou a emissão do documento, uma vez que o servidor não fez visita presencial ao local antes de apresentar a análise. Earlle justificou que seguiu orientações internas da direção do Iteraima e destacou que os documentos apresentados por Almiro eram apenas declaratórios.
A CPI já recebeu documentação oficial enviada pelo Iteraima e agora inicia a análise dos dados sobre terras nas glebas Ereu, Baliza, Equador e áreas urbanas.
Próximos passos da investigação
Além da análise documental, os parlamentares anunciaram que farão visitas presenciais às áreas investigadas. O objetivo é verificar quem realmente ocupa as terras e se a situação registrada nos documentos corresponde à realidade no local.
“Nosso trabalho agora será ainda mais aprofundado e detalhado”, declarou Renato Silva, relator da CPI.
Caso da dentista Estela Camargo
Entre os casos investigados pela CPI, um dos mais emblemáticos é o da dentista Estela Camargo, que denuncia um suposto esquema de grilagem envolvendo um terreno na zona rural de Boa Vista. Mesmo possuindo documentação legal, georreferenciamento e decisões judiciais favoráveis, ela enfrenta um processo administrativo no Iteraima que tenta conceder a posse da terra a Almiro Ferreira Marinho.
A situação ganhou ainda mais repercussão após o advogado de Almiro, Jamiro da Silva, ser preso no dia 10 de março. Ele foi detido dentro da Assembleia Legislativa, durante uma das oitivas da CPI, por omitir informações sobre bens e documentos relacionados ao caso. A ordem de prisão foi determinada pelo presidente da comissão, Jorge Everton, após a constatação de contradições nos depoimentos.
Composição da CPI e continuidade das investigações
A CPI da Grilagem é composta pelos deputados Jorge Everton (União Brasil) como presidente, Armando Neto (PL) como vice-presidente, Renato Silva (Podemos) como relator, além dos membros Marcinho Belota (PRTB), Chico Mozart (PRTB), Neto Loureiro (PMB) e o presidente da Assembleia Legislativa, Soldado Sampaio (Republicanos).
Os parlamentares seguem com as apurações e aguardam a decisão judicial sobre o pedido de condução coercitiva de Almiro Ferreira Marinho, além da análise dos documentos enviados pelo Iteraima. Caso irregularidades sejam confirmadas, novas medidas poderão ser adotadas para responsabilizar os envolvidos.
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Fonte: Portal Rio Madeira