PORTAL RIO MADEIRA – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (20) a divulgação dos vídeos da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. As transcrições já haviam sido tornadas públicas na quarta-feira (19), mas as mídias permaneciam sob sigilo.
Os depoimentos foram colhidos pela Polícia Federal (PF) no ano passado como parte das investigações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado e outras infrações atribuídas ao ex-presidente.
Acusações contra Bolsonaro
Na terça-feira (18), a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bolsonaro ao STF por uma série de crimes, incluindo:
- Liderança de organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado por violência e grave ameaça contra patrimônio da União;
- Deterioração de patrimônio tombado.
Caso a denúncia seja aceita, Bolsonaro passará a responder a um processo penal no STF.
Advertência de Moraes sobre regras da delação
Em um dos vídeos divulgados, Moraes alerta Mauro Cid sobre possíveis contradições em seus depoimentos. Segundo o ministro, relatórios da PF apontam omissões e inconsistências nas declarações do delator, o que poderia levar à revogação dos benefícios do acordo de colaboração.
Moraes destacou que a PGR chegou a solicitar a prisão preventiva de Cid devido a essas divergências, principalmente após as investigações sobre o chamado Plano Punhal Verde Amarelo, que envolveria ameaças contra autoridades, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o próprio ministro do STF.
Pressão sobre a Defesa para relatório sobre urnas
Nos depoimentos, Cid afirmou que Bolsonaro pressionou o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para que um relatório das Forças Armadas sobre as urnas eletrônicas indicasse a existência de fraudes. O militar disse que, apesar da pressão, o documento final apenas mencionava que o sistema eletrônico de votação não era auditável, argumento já desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ainda segundo o delator, Bolsonaro teria insistido para que a Defesa não divulgasse o laudo oficial, que não apontava indícios de irregularidades.
Expectativa de reação militar e apoio popular
Cid também relatou que, após a eleição de Lula, Bolsonaro mantinha a expectativa de que alguma mobilização popular e militar pudesse alterar o cenário político. Segundo ele, o ex-presidente incentivava a crença de que poderiam surgir provas de fraude eleitoral, o que justificaria uma reação das Forças Armadas e manifestações populares.
Nos vídeos, Cid afirmou que mensagens de apoiadores cobravam uma posição mais firme de Bolsonaro, com questionamentos sobre uma possível intervenção militar.
As investigações continuam em andamento e podem resultar em novos desdobramentos no STF.
Foto/Reprodução: imagens da internet
Fonte: Portal Rio Madeira